Estamos prontos para conversar sério?
Bom, vou ser bem sincera: eu amo minha filha como minha alma fora do corpo. Acho que não conseguiria respirar caso ela não estivesse ao meu lado mais. No entanto, eu odeio a maternidade.
Sim, a maternidade é bem diferente do que sentimentos por nossos filhos.
Ter eles nos torna mãe, o que traz a maternidade as nossas vidas, mas não necessariamente o sentimento que temos por um irá gerar o mesmo sentimento em outro.
Nossa vida é formada pelos vários papéis que desempenhamos: filha, esposa, amiga, irmã, prima, etc.
Ao nos tornarmos mãe, acrescentamos um novo papel ao nosso rol já existente, que é só seu e que você não divide com ninguém: apenas você é a mãe que você é, mesmo tendo um parceiro ou parceira para dividir essa responsabilidade. O papel, nesse caso, é só seu.
Sempre que adicionamos algo em nossas vidas, precisamos de tempo para assimilar tal nova situação. Mas sejamos sinceras: temos tempo para aceitar esse novo papel ? Não, não temos. Geralmente estamos muito ocupadas sentindo sono, cansaço, desespero, falta de controle, indecisão para sequer sentar e assimilar: opa! agora eu tenho mais isso aqui!
Sempre falo que ao virar mãe, devemos ter um tempo para o luto: a perda de quem éramos antes dessa mudança. Porque nunca mais deixaremos de ser mãe na vida, nunca mais não seremos isso. Seja onde formos, o que decidirmos na vida, qualquer mudança que fazemos em qualquer área, seguiremos sendo mãe.
Por isso, quando os pais se divorciam, eles precisam externar o fato de que continuarão sendo o papai e a mamãe, só não viverão mais juntos no mesmo espaço físico.
Porque é verdade.
Para melhor explicar: digamos que você decidiu mudar de carreira. Ou iniciar uma carreira nova. Então, antes você era Advogada, mas então resolveu se formar em letras e se tornar tradutora. Se nesse meio tempo você se tornou mãe, deixar de ser advogada, a fará deixar de ser mãe? Não! Sua criança continua ali, o que vai alterar é apenas um dos papéis da sua vida: o profissional.
No meu caso, eu ainda não tinha definido quem eu era, o que queria ser da vida, quando de repente virei mãe e não tive mais tempo nem espaço para isso. Agora eu só podia fazer e ser, sempre para o bem da minha filha.
E isso me levou a uma vida de apenas empregos, sem carreira profissional e sem direção a seguir, apenas caminhar rumo a sobrevivência minha e da minha filha.
Não passei e nem passo por isso sozinha. Tenho um parceiro, um companheiro incrível, um pai maravilhoso para nossa filha, que me permitiu por exemplo estar em casa para tentar descobrir meu futuro. O que ainda não consegui.
Estou aqui fazendo uso de uma das minhas habilidades e esperando que dê frutos, mas será? Só posso esperar que sim, porque a criança continua aqui, então eu também tenho que continuar, certo?
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